O dia que ele nasceu - Relato de parto

Quadrinho que o papai fez pro neném <3



Minha ultima consulta havia sido dia 5 de janeiro, eu estava de 39 sem e 5 dias segundo as contas  médicas. Após fazer o toque notícia não foi nada boa, eu permanecia sem aumentar a dilatação (estaca com 1cm). Como não tinha sinais da chegada do João, a dra. Marcela falou que a partir da sexta-feira daquela semana eu deveria procurar a maternidade e fazer o cardiotoco a cada 3 dias.
Confesso que sai do consultório arrasada, eu sabia que se na próxima consulta não houvesse alteração, seria marcada uma cesariana, pois estaríamos entrando na semana 41, orava pedindo a Deus que  João viesse antes disso, a idéia da cesariana me deixava em pânico, pensava que seria uma derrota pessoal se não conseguisse parir meu filho.  Minha mãe chegaria na manhã seguinte, o que me causava também certo pânico, já que sua ansiedade estava grande, e o fato de esperar o tempo do bebê pra ela não era uma boa opção. Fui pra casa em oração, falava pra Deus que não queria ter que ir na sexta-feira mais uma vez pra Campinas, não queria fazer cardiotoco a cada 3 dias, conversava com o João e dizia o “nosso problema”.
Minha mãe, diante do resultado do toque resolveu esperar mais pra vir, mas naquela mesma semana de quarta pra quinta, comecei a sentir contrações diferentes da de treinamento, dorzinhas vinham e iam a noite, nada significativo, mas eram diferentes. Lentamente meu tampão começo a sair, bem pouquinho, o que me animou muito. Na sexta-feira minha mãe chegaria, então arrumei minha casa e fiz tudo que podia ajudar o trabalho de parto ainda que estivesse bem cansada. (Ah não consegui fazer o cardiotoco sem a guia médica, ou seja, não fui pra Campinas rs). Foi- se a sexta, veio o sábado, e tampão saíndo aos poucos...a noite fomos ao Unasp (Faculdade) visitar uma amiga que estava participando de uma colônia de férias bilíngue, já fazia um ano que havia voltando para o Canadá e com outros amigos fomos visita-la. Aproveitamos pra tirar umas fotinhas da barriga, que seria as ultimas rs.






No domingo fui a feira com minha mãe e marido, fui na raça, uma canseira que não me cabia, tava me arrastando, ao voltarmos, fomos pra casa de uns amigos no sítio. O Cris foi trabalhar e fui com minha mãe, antes que ele fosse ainda falei, não demora muito que acho que hoje vamos ter que ir para o hospital, mas ele não me levou a sério rs. Passei o domingo dormindo na casa dos outros, não tinha vontade de nada, o calor ajudava a ficar mais mole, até que fomos embora, e o tampão vindo com sangue. O Cris chegou as 23:00, eu falei pra ele o que se passava e ele achou melhor esperar mais um pouco, pois poderíamos ir pra Campinas e voltar sem ter resultados.
O dia seguinte era dia de consulta, e eu continuava em oração, pois não queria ir naquela consulta, queria que o João nascesse rs. De manhã, grande surpresa,as contrações estavam doloridas e a cada 4 minutos, depois de uma hora pararam de ritmar, mas o tampão saiu bem e com sangue, fiquei radiante, ele poderia tá chegando!!! Liguei pro Cris e avisei, como ele trabalha em Campinas, ficou por lá mesmo e um amigo nosso foi nos levar. Como o Júlio não conhece bem Campinas e nessas horas GPS não presta, ficamos perdidos. Minha mãe apavorada falando sem parar e o Júlio desesperado com medo que eu parisse ali mesmo. Nesse momento as contrações voltaram a cada 7minutos e um pouco mais fortes, eu sentia as dores quieta, não falei pra não piorar a situação.
Quando chegamos ao hospital, minha cunhada já estava lá e fui pra consulta. Grande surpresa, 4 centímetros de dilatação com colo do útero bem grosso ainda, mas com bolsa prestes a romper. Era hoje que meu menino chegaria isso era umas 11 horas.
Fui orientada a aguardar numa sala a internação que demoraria cerca de uma hora pra ser autorizada (essa foi a única coisa que achei bem chato, o tempo de espera é muito grande), minha mãe ficou na sala comigo enquanto o Cris chegava. Pegaram um acesso em minha mãe direita,  enquanto eu aguardava vez ou outra sentia contrações que alternavam em fraquíssimas e fracas (hoje estabeleço essa escala com base nas fortes dores do final rs). Estava feliz em saber que não me colocaria soro pra indução, mas não fazia ideia de como seguiria os próximos procedimentos da equipe. Na minha cabeça, a cesariana já estava decretada pelo hospital, não haveria saída, teria dores por um tempo e por fim me dariam uma desculpa pra uma cessaria desnecessária- que boba.
Enfim o Cris chegou e começou a sessão de fotos, o whatszap bobando e inúmeras apostas de que minha “cara” tava boa demais pra quem sentia dores e queria parto normal. Finalmente chegaram meus papéis de internação e ai venho a segunda grande boa notícia, embora meu convênio cobrisse enfermaria, fui para um apartamento privativo com direito a 1 acompanhante e 3 visitas por vez no período das 9 da manhã até 8 da noite, tava demais pra mim  !!!  Grande benção!!!
Risadas e contrações

Fomos para o quarto. Oitavo andar, silêncio total, conforto mil. Após trocar de roupas minha mãe e cunhada subiram para ficar comigo também, acho que isso já passava das 13:30, eu estava com fome pois mal tinha tomado café da manhã. A primeira enfermeira que esteve comigo foi a Claudinha, ela me chamava de Amandinha, um cuidado sem fim, um amor. Ensinou o Cris a fazer massagem na minha lombar, sugeriu banhos quentes pra ajudar o parto e amenizar a dor e também a diminuição da luminosidade. Enquanto ela falava eu só olhava para o Cris e pensava, será isso mesmo? Rs

Minha mãe

O Cris ainda de uniforme

Minha cunha Elis



Contração

A Claudinha pegou também a primeira roupinha que o João usaria – mas que segundo ela deveria mudar, já que muito provavelmente não serviria rs. Merece até um post o assunto. A equipe de enfermagem mudou, veio a Luciana e uma outra bem calminha, falando arrastado, ambas lindas, cuidadosas, avaliando minhas contrações, pressão e temperatura a cada momento. O médico veio, se apresentou, seu nome era André Arruda. Me perguntou se queria o parto normal mesmo e que após 6 cm de dilatação eles aplicariam anestesia caso fosse meu desejo, eu falei que iria tentar o máximo, ele sorriu e disse que minha cara era boa demais pra quem ia parir – o que tem de errado com minha cara? Rs. Já havia se passado algum tempo e continuava com os 4 cm da hora da internação, isso pq eu já havia caminhado bastante, feito agachamento, mas nada. Ele então fez um procedimento, disse que descolaria um pouco minha placenta, quase não doeu, foi mesmo incomodo, se eu tivesse escolha não faria, mas...
Nos momentos que se seguiram eu me exprimia de dor na cama com as contrações que foram aumentando gradualmente, não gritava ou chorava, só me encolhia, mas era uma dor totalmente suportável, não senti a dor que vem das costas que tanta gente fala, era uma dor no pé da barriga, uma pressão.
Me enviaram uma deliciosa sopinha, eu morta de fome fui devorando entre uma contração e outra até que no final a dor apertou muito, eu falei chama a enfermeira rs, quando ela chegou só deu tempo de dizer : Vou vomitar!! E ela: - Vomita!! E lá se foi a sopinha delícia kkkk. Eu não tenho a noção da horas que as coisas se seguiram, não queria ficar me prendendo a tempo, havia lido em alguns relatos que o melhor é relaxar, só lembro da minha mãe e cunhada falando freneticamente e eu querendo silêncio kkk, o Cris fazendo piadinhas e eu o ameaçando de quebrar a cara rsrs. Depois me lembro de fui pro chuveiro mas a dor aumentou significativamente, eu não conseguia nem falar de tanta dor, nem pedir ajuda fui capaz naquele momento, depois que passou, chamei o Cris e falei que queria cesaria, não aguentava mais, não era forte, era muita dor. Ele fingiu que me ouviu, me encorajou, falou que eu queria sim o parto normal.
Muita contração
Lembro que sai do chuveiro, me troquei e fiquei um tempo apoiada na janela, na ponta dos pés e rebolando pra ver se aliviava, me levaram uma bola, mas eu sequer tive coragem de sentar pensando só na dor que seria o movimento de abaixar.
Se não me falha a memória minha mãe e cunha, foram comer algo e fiquei com o Cris, deitada na cama as dores estavam me dominando e eu já pronta pra desistir e o Cris me encorajando. Teve uma hora que me deu a louca, toda descabelada eu sai pelo corredor até o posto de enfermagem e pedi pelo amor de Deus que me fizessem uma anestesia ou uma cesaria que eu ia morrer kkkk. Voltamos pro quarto e a enfermeira disse que os médicos iriam me dá anestesia. Eu não sei quanto tempo se passou, sei somente que a dor foi do nível insuportável para muito muito muito insuportável. Eu me contorcia, apertava a campanhia, chamava  as enfermeiras, pedia o médico pelo amor de Deus, até que numa dessas dores gigantes senti, bem no meio dela, senti algo escorrendo perna abaixo, algo grosso, um quentinho, era a bolsa!!! Que alegria, ela tinha rompido, que lindeza, pedi muito a Deus que me deixasse saber o que era ter uma bolsa rompida, que sensação única, grandiosa. Como eu estava deitada e com muitas dores, eu não consegui ver a “cor, o cheiro”, o  Cris tirou uma foto pra eu ver rsrs.

Bolsa rompida
Creio que isso tenha ocorrido por volta das 18:00, após isso minha mãe e cunha chegaram, e foi ai que o lêlêô começou. Aquilo sim era dor, eu que antes tava caladinha, agora urrava desesperadamente, só urrava bem forte, as contrações ritmaram, eu senti uma queimação bem embaixo, acredito que seja o tal circulo de fogo que tanto falam. A pressão de que algo queria sair era intenso, meu corpo pedia pra fazer força, as enfermeiras pediam que não, que eu tinha que ir pro Centro obstétrico, mas meu corpo pedia força, eu urrava e fazia força. Acho que nunca emiti um som daqueles, me falaram depois que todo mundo olhava pra mim kkk, mas doía inexplicavelmente, eu tinha que fazer força. Levaram-me pro C.O, eu não tenho noção do tempo que isso levou,  quando chegamos lá, uma doçura de enfermeira a Cleo, me deu a mão e disse, aperte minha mãe sempre que quiser, tô com você, eu me derreti – ainda que mta dor  . A anestesista se apresentou ,me sentaram – pq sozinha  eu não podia, eu era capaz apenas de gritar rsrs. Anestesia aplicada,  dor sanada, nem contração mais eu sentia.
(Pausa pra uma agonia do momento: O pai do médico que fez meu parto é o responsável pelo C.O há 50 anos, daí ele estava presente, bom, assim que deram a anestesia foram escutar o coração do bebê – o médico pai, o pediatra e a anestesista, daí o médico pai colocou o aparelho na minha barriga, mexeu pra lá, mexeu pra cá e nada de ouvir o coração do João, aí ele olhou com cara de assustado para os outros dois que estava com ele. O pediatra pegou  o aparelho, colocou na minha barriga e nada de som do coração, eu tava ficando louca já, quase gritando pra saber o que se passava, dai a anestesista pegou o aparelho e mexeu no volume e plimmmm, ele “voltou a funcionar”, num é demais? Kkkk)

Voltando...O médico filho (André) disse que hora que sentisse a barriga endurecer que fizesse força, acontece que com a anestesia em não sentia barriga endurecer rs, fiz força quando deu vontade, por instinto e depois de 3 forças longas nasceu meu pequeno com duas voltas de cordão, daí eu nem fiz força e o corpo saiu, bem assim, bem sereno, bem tranquilo. Ele chegou as 19:59, pesando 3.460 kg e medindo 50,5 cm, chorou forte seu ritmo lelelele (Ora ele chora lelele, ora chora nenene kkkk). Um meninão lindo, uma boquinha gigante de caçapinha rsrs,  nunca vi ninguém mais lindo nesse mundo!!! Chorei ao ve-lo, chorei de emoção de saber que TUDO aquilo, ou melhor, aquele ser, tava dentro de mim, chorei porque me superei e embora em meio a muita dor eu havia parido, chorei de orgulho de mim mesma e chorei esnobando todos que um dia me desencorajaram por um motivo ou outro,, chorei de alegria que segundo a bíblia , “com dor parirás” e naquele momento eu havia cumprido a sina, minha sina!!! E teve lembrança do meu poema querido Com licença poética em que Adelia Prado lembra muito bem que “dor não é amargura”. Eu me superei ali, eu nasci ali e pela primeira vez na vida tive orgulho de verdade de mim!
Força, força!!!

,Médico pai e filho

Ele chegou!!


Segurando no papai

Nossa família!



Primeira mamada


 Quanto a episeo? Não, eu não tive, o médico deixou lacerar sozinho, ele disse que seria melhor, Levei 3 pontos e já tava pronta pro próximo combate rs.
Recebemos nosso filhinho da forma mais gostosa possível, ele mamou no primeiro momento, não deram banho e só aplicaram colírio e alguns medicamentos porque autorizamos previamente, sim eles perguntaram se queríamos ou não- coisa linda gente! O João segurou o dedo do papai assim que saiu da barriga, cena linda linda!!!
A querida da enfermeira Cleo esteve comigo a todo momento, o mão abençoada!!! Que gratidão!!!
O Cris foi um parceirão, grande doulo!!! Me fez lembrar a cada momento de fraqueza da minha vontade de parir, me encorajou, me fortaleceu quando eu achava que não mais podia. Ele foi demais!!! A vontade de parir era minha mas só consegui porque ele não me deixou desistir, méritos a ele.
A equipe que me atendeu aquele dia e nos demais que permaneci no hospital foi 10. Gente que trabalha feliz com o que faz é outra conversa, eu só tenho a agradecer a Deus porque me permitiu ter o João no dia do plantão deles.
Pari feliz da vida!!!Doeu muito sim, quis desistir mas eu CONSEGUI!!!

“Não sei se o mundo era bão, mas sei que tá melhor desde que você chegou.”

Meu menino



Pós parto

Lambendo a cria

É ele <3




Ósculos e Amplexos de quem pariu feliz







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