segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

As poesias que me marcaram

Todo mundo tem uma poesia, um poema, um verso, um haicai que tenha marcado.Todo mundo tem uma frasezinha que ama e adora sair escrevendo por ai...eu tenho um monte!!! Frases marcam minha vida todos os dias, e foi por isso que abri minha página no pensador.com, porque lá eu consigo guardar tudo que leio por ai e me agrada. Mas o que quero mesmo por hoje é poesia, poesias que fizeram muita diferença em minha vida, começo por Soneto de Fidelidade de Vinícius de Morais.

Eu não me lembro quando foi que o vi pela primeira vez, mas sei que me apaixonei, ele é lindo, muito embora triste ao declarar no final que "seja infinito enquanto dure", eu não quero nada assim, eu quero que dure infinitamente!!!

Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento

E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure

Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Vinícius de Moraes

Dai, eu também me recordo do meu amor infindo por Só tu, para quem não se lembra ele foi muito lembrado na novela Laços de Família, acho que a Camila ( Carolina Dieckmann) ganhava do Fred, se não me engana é isso, são cenas do comecinho da novela. Quando eles leram esse poeminha eu me derreti, muito embora não me lembre de ter nenhum amor platônico como esse, mas enfim, eu gosto ate hoje.

Só tu

De todos que me beijaram
De todos que beijei

De todos que me abraçaram

De todos que abracei

São tantos que me amaram

São tantos que amei

Mas tu (que rude contraste)

Tu que jamais beijastes
Tu que jamais abracei
Só tu nesta alma ficaste
De todos que amei...  

Paulo Setúbal

Quando eu era mais nova tinha um monte de amigos por cartas ( tempo em que eu nem sabia que existia internet), e a cada correspondencia trocávamos de poeminhas, e numa troca dessas eu recebi um lindíssimo de uma amiga antiga a Carline, era um belo poema de Cecilia Meireles que fala de coisas lindas, ei-lo abaixo:

Canção
 
Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas

do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,

a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,

para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;

praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.
Cecília Meireles
Eu jamais poderia citar Cecília apenas uma vez por isso deixo registrado um clássico de seus escritos:

Motivo


Eu canto porque o instante existe

e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
 
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
 
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
 
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.
Cecília Meireles

Houve um momento da minha vida que mantive um namoro a distancia, e foi ai que recebi uma das  poesias mais linda da minha vida, meus olhos poucas vezes leram palavras mais doces e bem organizadas ao expressassem um amor verdadeiro. Meu namoro não rendeu,-quer dizer rendeu a poesia- mas de bonito ficou a poesia:

Alma gêmea

Mesmo que eu nunca te percebesse
Estarias, ainda assim
Pulsando em mim
Mesmo que assim correndo calada
Percorrendo as minhas veias
Até o meu peito atingir
Mesmo que assim ausente
Sem tempo e sem hora
Mesmo que em meu leito deitada
Assim como agora
Quando não estás
Ainda assim a minha alma te sente
E eu te sinto de fato
Quando me ocorre
Um pensamento que me faça te ter
Na silhueta que me foge
Sem pressa
Por não querer me deixar
Ou quando a vida me apressa
Na ânsia de te alcançar
E mesmo que não sentisse mais nada
Ainda assim te sentiria eternamente
Como a única expressão do meu ser
E mesmo que no mundo não houvesse mais nada
Ainda assim te sentiria para sempre
Verdadeiramente
Como a única forma de viver
Sinto-te miragem,
Sinto-te amante.
Perfumada de Opium e Jasmim
Sinto-te assim, muito embora distante,
Tão perto de mim
Wilson de Carvalho Costa
E também teve a poesia que meu marido me deu quando namorávamos, na verdade ele me presenteou com muitos versos, frases e poemas, mas teve um especial, um que eu guardo com muito carinho, eu não sei o nome,mas é um contrato de amor lindo, é bem assim:

Não acabarão nunca com o amor,
nem as rusgas,
nem a distância.
Está provado,
pensado,
verificado.
Aqui levanto solene
minha estrofe de mil dedos
e faço o juramento:
Amo
firme,
fiel
e verdadeiramente.
 
 Vladimir Maiakóvski

E por fim fecho com duas poesias que me retratam a primeira eu conheci ao ler o livro Uma professora muito maluquinha do Ziraldo. Nas ultimas páginas de um livro animado e divertido a gente encontra uma professorinha que tem seus momentos de depressão, que quer viver um amor quase que impossível, as vezes eu chego a acreditar nas palavras daquele livro, e é quase que real a historia registrada ali pelo autor, as vezes acredito piamente que o Ziraldo presenciou aquele fato.Quem nunca quis fugir com a pessoa amada? Quem nunca quis fazer loucuras por amor? Ou simplesmente quem nunca acreditou tanto em um amor que resolveu vive-lo intenso e verdadeiramente? 

Triste
 
Eu hoje acordei triste, - há certos dias
em que sinto esta mesma sensação...
E não sei explicar, qual a razão
porque as mãos com que escrevo estão tão frias...


E pergunto a mim mesmo: - tu não rias

ainda ontem tão feliz... diz-me então
por que sentes pulsar teu coração
destoando das humanas alegrias?...


E, nem eu sei dizer por que estou triste...

Quem me olha não calcula com certeza,
o imenso caos que no meu peito existe...


A tristeza que eu sinto ninguém vê...

- E a maior das tristezas é a tristeza
que a gente sente sem saber por quê!...
J.G de Araújo Jorge

E o segundo e ultimo, o que não significa que gosto somente destes poemas, foi batizado por Adélia Prado de Com licença Poética, eu o conheci quando colportava na cidade de Divinópolis, na biblioteca municipal daquela cidade tem- ou pelo menos tinha- um quadro com esse poema escrito, não há como começar a ler e desistir no meio, ele é a biografia de toda mulher de verdade:

Com licença poética

Quando nasci um anjo esbelto,

desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
-- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
Adélia Prado
                 ****Fim****


Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso. Fernando Pessoa
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Escrevinha comigo!!!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...